Autismo é doença? 10 mitos que te contaram

Autismo é doença? 10 mitos que te contaram

Descubra por que a ideia de que autismo é doença está ultrapassada e equivocada. Neste texto, desmistificamos crenças, trazemos evidências científicas e mostramos como compreender o autismo como uma condição da neurodiversidade pode transformar vidas, políticas públicas e práticas sociais.

A pergunta “autismo é doença?” parece simples, mas carrega séculos de preconceito, desconhecimento e narrativas mal contadas. Ao longo da história, a sociedade insistiu em patologizar o que não compreendia, classificando como doença tudo aquilo que fugia do padrão esperado. O autismo, nesse sentido, acabou sendo reduzido a um rótulo equivocado que persiste até hoje — e esse erro custa caro. Custa em diagnósticos tardios, em famílias que se sentem culpadas, em escolas despreparadas e em sistemas de saúde que ainda não sabem lidar com a diversidade neurológica.

No entanto, a ciência contemporânea vem deixando claro: o autismo não é doença, mas sim uma condição do neurodesenvolvimento. É um modo diferente de funcionamento cerebral que se expressa em características únicas de interação social, comunicação, percepção e comportamento. A obra de Baron-Cohen (2020), por exemplo, reforça que falar em doença é perpetuar o estigma, quando deveríamos falar em diferença neurológica. Já Miranda & Montagnero (2025) destacam que reduzir o autismo à ideia de enfermidade é não apenas um erro conceitual, mas também uma barreira ao florescimento da criatividade, da inovação e da inclusão em nossa sociedade.

Portanto, precisamos abrir essa ferida coletiva e tratá-la com honestidade: se ainda pensamos que autismo é doença, é hora de desfazer esse mito de uma vez por todas. E isso exige enfrentamento, densidade teórica e coragem para provocar mudanças.

Mitos que você precisa para de reproduzir agora

Rotular o autismo como doença é tentar aprisionar mentes que nascem livres.
Rotular o autismo como doença é tentar aprisionar mentes que nascem livres.

Quando alguém repete sem reflexão a ideia de que autismo é doença, está reforçando um paradigma que desumaniza. Esse tipo de pensamento coloca o indivíduo em uma posição de carência ou incapacidade, quando, na verdade, o que existe são diferenças neurológicas que exigem novas formas de cuidado, adaptação e reconhecimento.

É justamente por isso que precisamos desmistificar com urgência esses discursos.

Cada vez que um professor, um gestor de saúde ou até um membro da família abandona o mito de que autismo é doença, abre-se espaço para um olhar mais sensível, mais pragmático e mais transformador — um olhar que entende que diversidade não é um problema a ser consertado, mas uma riqueza a ser integrada.

Reproduzir mitos sobre o autismo é alimentar um obstáculo que impacta diretamente a vida das pessoas. Quando a sociedade insiste em repetir que autismo é doença, está também construindo barreiras para diagnósticos precoces, dificultando o acesso a políticas públicas e criando ambientes de exclusão que limitam o aprendizado, a empregabilidade e a dignidade de milhares de indivíduos. Entenda mais sobre a importância dos diagnósticos precoces de autismo clicando aqui.

Por isso, é fundamental que cada mito seja desconstruído com rigor científico, com sensibilidade humana e com coragem para desafiar narrativas que já não servem mais.

A verdadeira transformação começa quando reconhecemos que palavras moldam realidades — e que, ao mudar o discurso, podemos mudar também o futuro.

Mito 1: Autismo é doença contagiosa

Não existe cura para o que é essência: existe espaço para acolhimento.
Não existe cura para o que é essência: existe espaço para acolhimento.

A ideia de que autismo é doença contagiosa ainda ecoa em muitas conversas informais e até em discursos institucionais mal informados. Essa visão parte de uma lógica ultrapassada, que reduz a condição a algo que poderia “passar de uma pessoa para outra”, como se fosse uma gripe. Tal crença reforça o estigma, promove exclusão social e aprofunda barreiras para a aceitação. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, não uma patologia transmissível.

Quando alguém defende que autismo é doença, automaticamente projeta sobre a pessoa autista um rótulo de ameaça, distanciando-a de espaços comunitários. Essa percepção equivocada pode resultar em ambientes escolares ou de trabalho mais hostis, onde a pessoa autista é vista como um “risco” em vez de ser acolhida como alguém que enriquece a diversidade humana.

Estudos recentes demonstram que a ideia de contágio não encontra respaldo em nenhuma evidência científica (APA, 2023). Pelo contrário, o autismo se inscreve no campo das diferenças cerebrais e não pode ser confundido com doenças transmissíveis. Reforçar esse ponto é essencial para que famílias entendam que conviver com pessoas autistas não só é seguro, como é também uma oportunidade de aprendizado sobre a pluralidade de formas de pensar e sentir.

Mito 2: Autismo é doença curável

O problema nunca foi o autismo: sempre foi a incapacidade do mundo de lidar com ele.
O problema nunca foi o autismo: sempre foi a incapacidade do mundo de lidar com ele.

Uma das narrativas mais persistentes é a de que, se autismo é doença, ele pode ser curado. Essa visão reforça a lógica biomédica de que qualquer condição divergente precisa ser tratada até desaparecer. O problema é que essa ideia coloca a pessoa autista em um ciclo de intervenções muitas vezes violentas e ineficazes, voltadas para “apagar” sua forma de existir.

As pesquisas atuais deixam claro que não existe cura para o autismo porque ele não é doença. O que existem são estratégias de apoio, inclusão e desenvolvimento de habilidades. Miranda & Montagnero (2025) destacam que reduzir o autismo a algo a ser curado mina a possibilidade de ver nele um jeito singular de estar no mundo.

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Tratar o autismo como doença curável também abre espaço para charlatanismos. Famílias fragilizadas, em busca de respostas, muitas vezes se tornam alvos de terapias sem comprovação, que prometem resultados milagrosos. É preciso firmeza ao dizer: não há cura porque não há doença. O que existe é a necessidade de criar condições mais humanas e acessíveis para cada pessoa.

Mito 3: Autismo é doença mental

Autismo é potência, não patologia.
Autismo é potência, não patologia.

Outro mito comum é confundir o autismo com uma doença mental. O discurso que mistura autismo com psicopatologias reforça preconceitos e cria uma barreira invisível entre pessoas autistas e o restante da sociedade. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, não um transtorno psiquiátrico, e essa distinção não é apenas técnica — ela muda completamente a forma como nos relacionamos com a diferença.

Quando se insiste em dizer que autismo é doença mental, cria-se um terreno fértil para estigmas que associam autistas à incapacidade, à instabilidade ou até mesmo à periculosidade. Esses estereótipos são danosos, pois limitam oportunidades e justificam exclusões veladas em escolas e empresas.

O DSM-5 (APA, 2023) é claro ao classificar o Transtorno do Espectro Autista dentro do eixo do neurodesenvolvimento. Reconhecer isso não significa negar que pessoas autistas possam ter comorbidades, mas sim compreender que sua condição principal não é uma patologia mental, e sim uma variação do desenvolvimento humano.

Mito 4: Autismo é raro

Autismo é diversidade; tratá-lo como doença é ignorância.
Autismo é diversidade; tratá-lo como doença é ignorância.

Ainda há quem acredite que, por ser pouco visível em certos contextos, o autismo é doença rara. Esse mito prejudica tanto a detecção precoce quanto o desenho de políticas públicas consistentes. Se algo é raro, ele não é visto como prioridade, e isso reforça a negligência em diagnósticos e tratamentos adequados.

Na realidade, o autismo afeta uma parcela significativa da população mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde (2024) apontam que 1 em cada 100 crianças está dentro do espectro. No Brasil, esse número pode ser ainda maior, devido à falta de triagem e subnotificação. Portanto, dizer que autismo é doença rara é uma forma de invisibilizar uma condição que é mais presente do que muitas outras vistas como prioridades de saúde pública.

Reconhecer a prevalência do autismo não deve ser motivo de alarme, mas de ação. Quanto mais cedo entendermos que o espectro é parte integrante da sociedade, mais cedo poderemos estruturar políticas educacionais, de saúde e de trabalho que respondam a essa realidade.

Mito 5: Autismo é doença causada por vacinas

Covid-19 vaccine bottle with a syringe taking the vaccine from it
Rotular o autismo como doença é negar inteligência, criatividade e singularidade.

Entre os mitos mais persistentes, talvez nenhum tenha causado tantos danos quanto a crença de que vacinas causam autismo. Essa narrativa nasceu de um estudo fraudulento de Andrew Wakefield em 1998, já amplamente desmentido e retratado. No entanto, sua sombra ainda ronda discussões sobre saúde pública.

A associação entre autismo e vacinas continua a circular porque reforça a ideia de que autismo é doença e, portanto, precisa de uma causa clara para ser combatida. Essa simplificação ignora a complexidade genética e ambiental do autismo e ainda gera riscos coletivos, já que reduz a adesão a campanhas de vacinação.

Vários estudos, revisões sistemáticas e órgãos de saúde como a OMS já confirmaram: não existe relação causal entre vacinas e autismo. Manter esse mito é colocar em risco não apenas a compreensão sobre a neurodiversidade, mas também a saúde pública global.

Mito 6: Autismo é doença que limita a inteligência

Autismo é pluralidade de formas de viver, não um erro a ser corrigido.
Autismo é pluralidade de formas de viver, não um erro a ser corrigido.

Muitos ainda acreditam que, se autismo é doença, ele compromete a inteligência. Essa generalização não resiste à realidade: o espectro autista abrange uma ampla variedade de perfis cognitivos, que vão desde pessoas com deficiência intelectual até aquelas com altas habilidades.

Reduzir o autismo a uma doença que limita a inteligência é negar a complexidade humana. Pessoas autistas podem apresentar formas diferentes de aprendizagem, foco intenso em áreas específicas e habilidades notáveis em campos como lógica, artes, música e tecnologia. O erro está em medir inteligência apenas pelo padrão tradicional escolar ou de produtividade.

A pesquisa de Mottron (2022) evidencia que muitas características autistas, como a atenção ao detalhe e a capacidade de reconhecer padrões, são não apenas variações cognitivas, mas também vantagens em determinados contextos. Isso derruba a visão estreita de que autismo é doença que só gera déficits.

Mito 7: Autismo é doença passageira da infância

Cada mente autista é um universo; tratá-la como doença é confundir estrela com defeito.
Cada mente autista é um universo; tratá-la como doença é confundir estrela com defeito.

Outro equívoco comum é imaginar que o autismo é uma condição restrita à infância. Quando se parte da ideia de que autismo é doença, assume-se que ele pode “passar” com o tempo, como uma febre ou uma alergia. Essa expectativa gera frustração em famílias e compromete a construção de suportes adequados para a vida adulta.

O autismo acompanha o indivíduo ao longo da vida. Isso não significa que não haja evolução ou aprendizado — pelo contrário, muitas pessoas autistas desenvolvem estratégias sofisticadas de adaptação. O que não ocorre é a “desaparição” da condição.

A consequência desse mito é devastadora: muitos adultos autistas seguem invisíveis, sem diagnóstico ou suporte adequado, porque a sociedade insiste em ver o autismo apenas como uma etapa da infância. Precisamos afirmar de forma clara: o autismo é parte do sujeito, não uma doença passageira.

Mito 8: Autismo é doença que impede a vida independente

Mapeamento Genético, Escaneamento de Íris e Inteligência Artificial: Entre avanço científico e ética na neurodiversidade
O futuro será inclusivo ou não será; e o autismo não é obstáculo.

A crença de que autismo é doença incapacitante impede que muitas famílias visualizem o futuro de seus filhos com autonomia. Essa visão não considera que a independência não é um pacote fechado, mas um processo construído de forma singular.

Para algumas pessoas autistas, a vida independente pode significar morar sozinho, ter um emprego estável e formar uma família. Para outras, pode significar contar com suportes específicos e ainda assim viver com qualidade e dignidade. A chave está em entender que independência é relativa e precisa ser contextualizada, não tratada como um padrão universal.

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Diversas pesquisas mostram que, com apoio educacional adequado, acessibilidade no trabalho e redes de suporte, pessoas autistas podem sim construir trajetórias de vida autônomas. O mito de que autismo é doença que impede a independência só reforça uma visão estreita de sucesso.

Mito 9: Autismo é doença que exclui a afetividade

Autismo é neurodiversidade, e diversidade não é doença.
Autismo é neurodiversidade, e diversidade não é doença.

Outro mito profundamente enraizado é o de que pessoas autistas não sentem ou não expressam afeto. Essa visão deriva diretamente da crença de que autismo é doença que desconecta o indivíduo do mundo social. Nada poderia estar mais distante da realidade.

Pessoas autistas sentem, amam, sofrem e criam vínculos. O que muda é a forma de expressar tais emoções, que muitas vezes não se encaixa nos padrões neurotípicos. Isso não significa ausência de afeto, mas presença de outras linguagens afetivas.

Negar a afetividade de quem é autista é desumanizá-lo. Estudos de Milton (2020) sobre a “dupla empatia” mostram que a dificuldade não está apenas no autista em compreender o neurotípico, mas também no neurotípico em compreender o autista. Ou seja, o problema está na relação, não em uma suposta ausência de humanidade.

Mito 10: Autismo é doença que deve ser escondida

Autismo é resistência criativa contra um mundo que quer uniformizar.
Autismo é resistência criativa contra um mundo que quer uniformizar.

Por fim, um mito silencioso, mas poderoso: a ideia de que o autismo deve ser escondido, como se fosse uma doença vergonhosa. Essa crença faz com que muitas famílias retardem diagnósticos, ocultem informações em ambientes escolares ou de trabalho e até neguem a identidade do próprio filho.

Esse silêncio produz exclusão. Quando o autismo não é nomeado, a pessoa não tem acesso a suportes adequados. Quando é escondido, abre-se espaço para interpretações erradas, preconceito e violência simbólica. A negação nunca protege; ao contrário, ela isola.

Falar abertamente sobre autismo é um ato político e afetivo. É reconhecer que ele não é doença, mas parte legítima da diversidade humana. Romper com esse mito significa abrir espaço para uma sociedade mais consciente e menos cruel.

Desmistifique com dados: aprenda sobre o autismo

Enquanto chamarmos autismo de doença, continuaremos a marginalizar talentos.
Enquanto chamarmos autismo de doença, continuaremos a marginalizar talentos.

Center for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, uma das fontes mais respeitadas globalmente em saúde pública, divulgou números que chocam: estima-se que cerca de 1 em cada 31 (3,2%) crianças de 8 anos foram identificadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este dado, presente em seu material sobre Dados e Pesquisas sobre Autismo, é um espelho que reflete uma nova dimensão da neurodiversidade em nossa sociedade.

Mas o que esse número significa para nós, no Brasil?

Significa que a cada sala de aula, em cada condomínio, em cada grupo de amigos, há uma probabilidade cada vez maior de encontrar uma criança no espectro autista. Isso não pode ser ignorado.

Imagine uma turma de 30 alunos, é bem provável que um deles esteja no espectro, mesmo que ainda não tenha um diagnóstico formal.

Esse colega que se comunica de uma forma um pouco diferente, que se interessa por assuntos muito específicos ou que demonstra uma sensibilidade única a sons e luzes. Essa criança é parte da realidade que os números do CDC nos revelam e essa realidade exige mais do que apenas reconhecimento; exige ação e compreensão profunda.

Entendendo o aumento dos diagnósticos

Se você é do tipo que pensa “mas antigamente não tinha tanto autismo”, pare e reflita. O aumento vertiginoso nos números não é um sinal de que mais pessoas estão “virando” autistas. É a prova de que estamos, finalmente, identificando o que antes era invisível ou mal compreendido.

Historicamente, a prevalência do TEA apresentava números significativamente menores. O mesmo material do CDC que aponta para 1 em 31 hoje, mostra que:

  • Em 2000: essa taxa era de 6,7 por 1.000 crianças, o que significava 1 em 150 crianças.
  • Em 2004: essa taxa era 1 em 166.
  • Em 2008: essa taxa era 1 em 88.

A cada nova pesquisa, o número subia, e não por alguma “epidemia” misteriosa, mas por uma mudança fundamental na forma como entendemos e identificamos o autismo.

O que mudou? A ciência avançou, a sociedade amadureceu e a busca por respostas se intensificou. Não se trata de uma “epidemia”, mas sim de um reflexo do progresso no conhecimento e na capacidade diagnóstica.

A desmistificação do aumento de casos de autismo

É crucial desmistificar a ideia de uma “explosão” de casos de autismo. O que testemunhamos é uma confluência de fatores que tornaram o TEA mais visível:

  • Aumento da Conscientização: Pais, educadores e profissionais de saúde estão mais informados e aptos a reconhecer os sinais precoces do autismo. Campanhas de conscientização e a difusão de informação via internet e mídias sociais têm um papel fundamental nisso.
  • Aprimoramento dos Critérios Diagnósticos: Os manuais de diagnóstico, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), evoluíram para uma compreensão mais abrangente do TEA como um espectro, englobando uma gama maior de características e níveis de suporte. O que antes poderia ser classificado de outras formas ou simplesmente não diagnosticado, hoje encontra um enquadramento mais preciso dentro do espectro autista. O DSM-IV, por exemplo, diferenciava entre “transtorno autista”, “Síndrome de Asperger” e “transtorno desintegrativo da infância”. O DSM-5 unificou tudo sob o guarda-chuva do TEA, reconhecendo que o autismo se manifesta em uma vasta gama de apresentações, de pessoas com grandes necessidades de apoio a indivíduos com habilidades intelectuais excepcionais.
  • Maior Acesso ao Diagnóstico: Apesar dos desafios persistentes, o acesso a profissionais qualificados e a serviços de saúde especializados tem melhorado, ainda que de forma desigual. O artigo Transtorno do Espectro Autista em Crianças: Uma Revisão Sistemática sobre o Aumento da Incidência e do Diagnóstico, publicado na Research, Society and Development, reforça essa questão, destacando as preocupações com os processos de triagem, diagnóstico e a própria qualificação profissional. Isso nos força a questionar: estamos formando profissionais à altura do desafio que temos pela frente? A resposta, frequentemente, é “ainda não”. A fila de espera por um diagnóstico em centros especializados pode ser longa. Em muitas cidades do interior, simplesmente não há neurologistas infantis ou psicólogos com expertise em TEA. Superar essa barreira de acesso não é apenas uma questão de números, mas de dignidade e equidade.
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Não se trata de um aumento real no número de nascimentos de autistas, mas de um aprimoramento em nossa capacidade de detectar e nomear essa neurodivergência. E essa capacidade é um avanço que não podemos subestimar, uma vez que nos obriga a confrontar nossas antigas concepções e a abraçar uma realidade mais complexa e rica em diversidade humana.

Abraçando a neurodiversidade em um mundo em transformação

Autism Awareness. Autism father holding hand his Autistic Child with I have autism bracelet
É hora de abraçar o paradigma da neurodiversidade.

É tempo de questionar as velhas lentes pelas quais enxergamos o autismo. Por muito tempo, o modelo predominante foi o modelo médico-patológico, que via o autismo primariamente como um “déficit”, uma “doença” a ser “curada” ou “normalizada”. Embora o diagnóstico clínico seja essencial para o acesso a intervenções e direitos, essa visão estreita falha em reconhecer a riqueza e as contribuições únicas que pessoas autistas trazem para o mundo.

É hora de abraçar o paradigma da neurodiversidade.

Neurodiversidade é a ideia de que as variações no funcionamento neurológico humano (como autismo, TDAH, dislexia, etc.) são variações naturais e válidas da condição humana, e não meras patologias.

Essa mudança de perspectiva tem implicações profundas:

  • Do “déficit” ao “diferente”: Em vez de focar apenas no que uma pessoa autista “não consegue fazer”, focamos em como ela pensa, sente e interage de forma diferente. Isso abre portas para estratégias de ensino, comunicação e inclusão que respeitam e capitalizam essas diferenças. Por que insistir que uma criança autista force o contato visual se isso lhe causa desconforto extremo, quando podemos buscar outras formas de comunicação igualmente eficazes?
  • Valorização de talentos e habilidades únicas: Pessoas autistas frequentemente possuem habilidades notáveis em áreas como atenção aos detalhes, reconhecimento de padrões, memória factual, pensamento lógico e uma paixão profunda por seus interesses. Empresas de tecnologia, por exemplo, estão descobrindo o valor inestimável de contratar talentos autistas para funções que exigem foco e habilidades analíticas apuradas. É uma ruptura com a ideia de que a diversidade é um “problema” e um abraço da ideia de que é uma vantagem competitiva.
  • Ambientes adaptados, não apenas indivíduos “consertados”: Em vez de apenas tentar “normalizar” o indivíduo autista para que se encaixe em ambientes inflexíveis, o paradigma da neurodiversidade nos desafia a adaptar os ambientes – escolas, locais de trabalho, espaços públicos – para que sejam mais inclusivos e acolhedores para a variedade de mentes que existem. Isso é sobre acessibilidade em seu sentido mais amplo.

Essa é a verdadeira revolução que a Braine abraça, é um desafio direto à nossa zona de conforto, exigindo que repensemos o que significa “normal” e abracemos a riqueza que a neurodiversidade nos oferece.

IA com propósito e inclusão com estratégia

Na Braine, cada projeto nasce de uma escuta real das necessidades de pessoas neurodivergentes, suas famílias e profissionais que as acompanham. Mais do que ferramentas tecnológicas, criamos pontes entre o conhecimento científico e o cotidiano de quem vive às margens de um sistema que ainda exclui.

  • AURA-T é nossa inteligência artificial voltada ao apoio no processo de pré-diagnóstico do autismo. Ela organiza, interpreta e transforma dados clínicos e entrevistas em relatórios claros, completos e acionáveis. Não substituímos profissionais — empoderamos decisões com base em evidências.
  • Bruna é nossa solução contínua para o acompanhamento do dia a dia de pessoas neurodivergentes, ela identifica sinais de crise, sugere intervenções individualizadas e promove autonomia sem abrir mão do cuidado. Bruna não vigia — ela apoia, orienta e respeita.

Esses são só os primeiros passos. Nosso compromisso está em expandir cada vez mais as possibilidades de uma tecnologia que reconhece as diferenças e atua para torná-las forças de transformação. Cada projeto é uma resposta pragmática a um problema urgente. Porque inclusão sem ação é só discurso bonito.

Um convite para atravessar fronteiras: descubra a neurodiversidade com a Braine

Se você chegou até aqui, é porque sabe — no fundo, talvez até sem ter colocado em palavras — que falar de neurodiversidade não é apenas falar sobre diagnósticos, rótulos ou políticas públicas. É falar sobre futuro. É falar sobre o modo como escolhemos viver em sociedade. É falar sobre aquilo que pode nos libertar de uma lógica estreita, produtivista e excludente que ainda insiste em reduzir pessoas a métricas e padrões.

Na Braine, criamos pontes entre ciência, tecnologia e sensibilidade. Nosso blog é um desses caminhos — textos densos, reflexivos, provocativos — para você olhar para além do que é confortável, questionar estruturas e repensar o que significa inclusão. Cada post é um convite para enxergar a diferença não como problema, mas como potência.

E se você quer experimentar isso de forma ainda mais intensa, precisa estar conosco no ExpoTEA 2025. Entre 28 e 30 de novembro, no Expo Center Norte em São Paulo, mais de 60 mil pessoas vão se reunir para aprender, trocar e se inspirar. Lá, a Braine estará mostrando, na prática, como nossas soluções digitais — AURA-T, Bruna e outras ferramentas inovadoras — já estão transformando o cuidado, antecipando o apoio e empoderando famílias, profissionais e pessoas neurodivergentes. É a oportunidade de ver que tecnologia e empatia podem caminhar lado a lado, criando impacto real.

E, claro, não posso deixar de falar do que é, para mim, um marco pessoal e coletivo: meu primeiro livro, “Fronteiras da Neurodiversidade”. Nele, proponho um olhar que vai além de protocolos, laudos e estatísticas. É sobre nome antes do CID, pessoa antes do rótulo, escuta antes da pressa. É uma obra que convida a refletir, sentir e agir.

Portanto, este é o meu convite — e não é um convite qualquer. Venha explorar o blog da Braineparticipar do ExpoTEAseja um dos nossos beta tester, conheça nossas ferramentas e descubra “Fronteiras da Neurodiversidade”. Cada passo seu nesse percurso ajuda a construir um mundo onde a diferença deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma força.

A travessia começa agora. E queremos você ao nosso lado.

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