Adultização infantil, Felca, violência sexual contra autistas e o debate sobre regulação das redes

Adultização infantil, Felca, violência sexual contra autistas e o debate sobre regulação das redes

Adultização infantil, caso Felca e a urgência de regular redes: entenda os riscos da violência sexual contra autistas e o papel da sociedade.

O recente vídeo do youtuber Felca, ao denunciar de forma explícita a adultização infantil e a sexualização precoce de crianças em conteúdos digitais, reacende um debate que no Brasil se manifesta de maneira cíclica, intensa e carregada de tensões políticas, sociais e culturais. Estamos falando de uma discussão que atravessa décadas, ressurge em momentos específicos e reflete o embate entre proteção da infância, interesses ideológicos e pressões econômicas do ambiente digital.

A questão central é clara, ainda que complexa: como garantir a segurança e o desenvolvimento saudável da criança na era digital, em um contexto onde o acesso irrestrito a telas, algoritmos persuasivos e plataformas globais transforma a experiência infantil em território permeável a riscos invisíveis, mas absolutamente reais, que interferem na construção da identidade, nas interações sociais e na percepção de limites?

A adultização infantil não é um fenômeno isolado ou meramente circunstancial. Ela se manifesta como um processo estrutural, presente em padrões culturais, econômicos e tecnológicos que convertem a infância em espetáculo, consumo e desempenho antes do tempo adequado.

Vestimentas, linguagens, comportamentos, desafios digitais e exposições midiáticas antecipam à força uma maturidade que o desenvolvimento biológico e emocional da criança ainda não alcançou.

A sexualização precoce, nesse cenário, torna-se não apenas consequência da curiosidade natural, mas também produto de uma engrenagem digital que valoriza o engajamento, o clipe viral e a monetização, muitas vezes sem qualquer consideração ética sobre o impacto da adultização na saúde mental e na segurança da criança.

Hoje, o governo federal aborda a questão da adultização infantil sob a perspectiva da regulação das redes digitais, buscando responsabilizar plataformas pelo conteúdo distribuído, pelo alcance de vídeos e pelo potencial de exposição de menores a situações inadequadas. Contudo, é crucial compreender que a regulação não deve se limitar a um exercício de controle ou vigilância: o eixo central deve ser a proteção efetiva das crianças, especialmente aquelas autistas, cujas vulnerabilidades cognitivas, sociais e emocionais ampliam os riscos da exposição precoce a conteúdos sexualizados e da adultização.

O desafio é imenso: é preciso criar mecanismos de proteção concretos, robustos e multidimensionais, que não sirvam de desculpa para censura ideológica, restrição de direitos fundamentais ou manipulação política do debate.

A pergunta que se impõe, urgente e complexa, é de uma densidade ética e prática incontornável: como construir ferramentas reais de proteção contra a adultização infantil e a exposição sexual precoce, assegurando que a infância seja respeitada, a autonomia neurodivergente preservada e os riscos digitais mitigados, sem permitir que a pauta de proteção seja sequestrada por disputas partidárias, interesses corporativos ou narrativas de mercado?

Em outras palavras, como garantir que a defesa da infância seja uma prioridade absoluta, orientada pelo cuidado, pela ética e pelo conhecimento, e não pelo oportunismo político ou pelo imperativo de lucro das plataformas digitais?

Adultização Infantil: definição, exemplos e efeitos

Não existe inclusão real onde a infância é violada e a neurodivergência é invisibilizada.
Não existe inclusão real onde a infância é violada e a neurodivergência é invisibilizada.

A adultização infantil é um fenômeno que transcende o comportamento individual ou o simples estilo de vida; ela se manifesta como um processo estrutural, cultural e tecnológico que projeta sobre crianças expectativas, comportamentos e responsabilidades que não correspondem à sua maturidade biológica, emocional ou social.

Trata-se de uma distorção do tempo natural do desenvolvimento, em que vestimentas, linguagens, atitudes e até mesmo a exposição a conteúdos de caráter sexual ou sensível antecipam à força uma experiência adulta, comprometendo a infância enquanto espaço seguro de aprendizado, exploração lúdica e construção identitária.

Na prática, a adultização infantil se revela em múltiplos formatos e intensidades. Em um extremo, temos competições de beleza infantil, vídeos de dança sexualizada no TikTok ou desafios digitais que induzem crianças a encenar comportamentos adultos de forma performática.

Em outro extremo, encontramos formas mais sutis, mas igualmente perigosas: algoritmos que recomendam conteúdos sexualizados ou violentos baseados no engajamento, transformando a própria experiência digital da criança em terreno de risco invisível. Aqui, a adultização não é apenas resultado de escolhas individuais, mas sim de sistemas tecnológicos que priorizam cliques, likes e monetização, muitas vezes em detrimento do bem-estar e da proteção das crianças.

O impacto da adultização infantil vai além da exposição: ele interfere diretamente no desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Pesquisas mostram que a antecipação da sexualidade, a pressão para desempenhar papéis adultos e a hiperexposição a imagens e narrativas adultas estão correlacionadas a quadros de ansiedade, depressão, distorção da autoimagem e vulnerabilidade ampliada a abusos.

No Brasil, os dados do Disque 100 indicam um aumento contínuo nas denúncias de violência sexual contra menores, muitas vezes mediada pelo ambiente digital, revelando que a adultização infantil e a exploração precoce não são abstrações teóricas, mas problemas concretos que exigem respostas urgentes, éticas e sistemáticas.

Além disso, a adultização infantil está intrinsecamente ligada à economia da atenção, um motor invisível que molda comportamentos e valores desde cedo. Plataformas digitais recompensam conteúdos que chocam, provocam emoção ou reproduzem estereótipos, criando uma espiral de exposição precoce.

Crianças autistas, por exemplo, são particularmente vulneráveis: suas características cognitivas e sociais — como interpretação literal de mensagens, dificuldade em perceber intenções ocultas e hiperfoco — tornam a experiência da adultização digital ainda mais intensa, aumentando os riscos de manipulação, exploração e trauma.

A reflexão que se impõe, então, é dupla: a adultização infantil não é apenas uma questão de moralidade ou censura; ela é uma preocupação central de saúde pública, proteção da infância e ética digital. Compreender seus mecanismos, exemplos e efeitos é o primeiro passo para criar estratégias de proteção reais, que conciliem liberdade de expressão, desenvolvimento saudável e segurança das crianças, sem que o debate seja sequestrado por interesses políticos ou corporativos. É nesse ponto que a sociedade precisa agir, com clareza, coragem e pragmatismo, reconhecendo que cada episódio de adultização infantil é um alerta sobre os limites do que devemos permitir, mediar e regular na experiência digital das nossas crianças.

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Crianças autistas: vulnerabilidade ampliada

Autistas não são alvos fáceis, são vítimas de um mundo que insiste em não protegê-los.
Autistas não são alvos fáceis, são vítimas de um mundo que insiste em não protegê-los.

A adultização infantil atinge níveis ainda mais críticos quando falamos de crianças autistas, um grupo cuja percepção de mundo, sensibilidade sensorial e padrões de interação social ampliam exponencialmente os riscos da exposição precoce a conteúdos e situações adultas. Diferentemente das crianças neurotípicas, crianças com transtorno do espectro autista (TEA) podem ter dificuldade em interpretar intenções ocultas, ler sinais sociais complexos ou filtrar informações de maneira intuitiva.

Essa característica, combinada com a presença constante de telas, algoritmos e conteúdos digitais projetados para engajar, transforma a adultização digital em um risco sistêmico, estruturado e invisível.

Estudos internacionais indicam que jovens autistas têm duas a três vezes mais probabilidade de serem vítimas de exploração sexual em comparação com seus pares neurotípicos. No contexto brasileiro, embora dados consolidados ainda sejam escassos, relatos de famílias, organizações e especialistas apontam para padrões preocupantes de vulnerabilidade.

A adultização infantil aqui não se manifesta apenas na presença de conteúdos sexualizados, mas também na imposição de papéis, expectativas e interações que antecipam responsabilidades adultas, expondo essas crianças a situações de risco e trauma.

As consequências da adultização digital para crianças autistas transcendem o impacto imediato. Isolamento social, agravamento de sintomas, regressão comportamental e internalização da culpa são desdobramentos frequentes, criando um ciclo de sofrimento que muitas vezes passa despercebido pelos adultos ao redor. Cada interação precoce com conteúdos ou situações adultas pode reforçar inseguranças, prejudicar a construção da autoestima e tornar a criança mais suscetível a manipulações.

Por outro lado, o afeto estruturado, a presença familiar e ambientes de cuidado bem organizados atuam como barreiras protetivas extremamente eficazes. Em meu livro Fronteiras da Neurodiversidade, discuto como diagnósticos imprecisos ou rótulos mal aplicados podem tanto proteger quanto expor crianças, dependendo do contexto e das estratégias de cuidado adotadas. É nesse equilíbrio delicado entre exposição e proteção que se torna possível enfrentar a adultização infantil de maneira ética e pragmática, garantindo que crianças autistas possam experimentar sua infância com segurança, exploração saudável e desenvolvimento integral.

Portanto, a discussão sobre adultização no contexto das crianças autistas não é apenas sobre moralidade ou controle de conteúdo; é uma questão de direitos, proteção e saúde mental, que exige uma abordagem multidimensional envolvendo família, escola, políticas públicas e tecnologias digitais. Reconhecer essa vulnerabilidade é o primeiro passo para criar mecanismos de defesa reais, que previnam a exposição precoce, respeitem a neurodiversidade e ofereçam às crianças a infância que lhes pertence por direito.

Política e proteção infantil

A sociedade que sexualiza crianças e silencia vítimas é a mesma que finge se chocar diante da estatística.
A sociedade que sexualiza crianças e silencia vítimas é a mesma que finge se chocar diante da estatística.

A adultização infantil é, sem dúvidas, objeto de atenção política e legislativa, mostrando a nós que a proteção da infância exige intervenção e controle contínuos.

Ao longo dos anos, diferentes governos e instituições brasileiras implementaram medidas com o objetivo de reduzir a exposição precoce de crianças a conteúdos sexualizados e adultizados, muitas vezes enfrentando resistência ou interpretações divergentes.

A criação do Disque 100, por exemplo, representou um marco na política de proteção infantil, permitindo que denúncias de exploração sexual e adultização fossem registradas e investigadas com maior agilidade. Da mesma forma, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e as campanhas de conscientização do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos têm buscado orientar famílias e escolas sobre os riscos da exposição precoce e da adultização digital, reforçando a importância de políticas públicas preventivas.

Em paralelo, a discussão sobre adultização se entrelaça com a regulamentação da publicidade infantil e o controle sobre programas e conteúdos midiáticos que são os principais responsáveis pela divulgação em massa de conteúdos que colocam a vida dessas crianças em risco.

Regulamentações da Anatel e do Ministério da Justiça sobre conteúdos de streaming mostram que o Estado reconhece a vulnerabilidade das crianças frente a estratégias de mercado e algoritmos que priorizam o engajamento acima do cuidado.

A adultização infantil deixa de ser um conceito abstrato quando seus malefícios são observados na prática, onde crianças expostas a padrões de sexualidade precoce ou representações adultas em vídeos, games ou redes sociais estão mais sujeitas a impactos cognitivos, emocionais e sociais que não podem ser ignorados.

Mas odesafio permanece: iniciativas legislativas e regulatórias muitas vezes sofrem distorções ou atrasos na implementação, e a adultização digital continua avançando em paralelo à velocidade tecnológica. O eixo central desse debate deve ser proteção efetiva, que combine fiscalização, educação, apoio familiar e responsabilidade das plataformas digitais.

Políticas públicas, campanhas de conscientização e regulamentações específicas são ferramentas essenciais para combater a adultização, mas só funcionam quando alinhadas à realidade das crianças e à complexidade de seus ambientes digitais.

Proteger contra a adultização infantil é uma responsabilidade compartilhada: envolve o Estado, escolas, famílias, organizações da sociedade civil e plataformas digitais. É reconhecer que a segurança da infância não pode ser deixada à mercê de interesses corporativos ou de decisões fragmentadas, mas precisa de estratégias robustas, multidimensionais e consistentes, que priorizem o desenvolvimento integral da criança acima de qualquer disputa ideológica ou comercial.

Regulação das redes: proteger crianças da adultização sem se render à ilusão de controle

Regulação das redes não é censura — é responsabilidade diante da vida de quem mais precisa de proteção.
Regulação das redes é responsabilidade diante da vida de quem mais precisa de proteção.

A adultização infantil é uma ameaça concreta, silenciosa, que penetra em feeds, vídeos, algoritmos e recomendações automáticas, moldando experiências que crianças — especialmente autistas — não têm maturidade para processar. O desafio está em detectar conteúdos impróprios e em construir sistemas reais de proteção que funcionem em um ambiente digital globalizado, onde cliques valem mais que cuidado e engajamento supera ética.

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Projetos de lei e medidas regulatórias, como dispositivos presentes no PL das Fake News, tentam colocar limites à circulação de conteúdos que promovem a adultização, responsabilizando plataformas e provedores de serviços digitais.

O problema é que a tecnologia não espera por legislações: algoritmos priorizam emoção e choque, e crianças consomem conteúdos de forma fragmentada, muitas vezes sem supervisão.

Aqui, adultização deixa de ser apenas conceito e se torna fator de risco real para saúde mental, desenvolvimento e segurança.

A tentação de transformar a proteção em censura é enorme.

Adultização digital não deve ser combatida com controle ideológico, mas com estratégias inteligentes e eficazes: filtros de idade robustos, verificação parental confiável, responsabilização concreta das plataformas e educação digital contínua para pais e crianças.

É preciso ação, não discursos. É preciso empoderar famílias, criar redes de apoio, fortalecer vínculos e, acima de tudo, reconhecer que a adultização não é um problema moral genérico, mas uma vulnerabilidade que exige respostas práticas e éticas.

A pergunta que se mantém, crua e incômoda, é: como regularizar as mídias digitais sem deixar que plataformas digitais determinem os limites da infância?

Resposta fácil não há — mas ação estruturada, crítica e corajosa é o mínimo que a sociedade deve oferecer.

Exemplos de intervenção eficaz: protegendo crianças sem recorrer à censura ampla

Proteger crianças da adultização infantil e da exposição sexual precoce não é apenas uma questão de leis, mas de estratégia, rede de proteção e ação coordenada. Iniciativas bem-sucedidas mostram que é possível criar ambientes digitais e físicos mais seguros sem recorrer a medidas extremas de censura, combinando tecnologia, educação e suporte humano.

  • DIR/Floortime: esta abordagem terapêutica fortalece a comunicação, o vínculo afetivo e a capacidade da criança de expressar desconforto, criando barreiras naturais contra a adultização e a exploração. Mais do que técnica, trata-se de investir em presença, atenção e leitura sensível das necessidades da criança.
  • Programa CACTO: rede comunitária que atua na prevenção e denúncia de abuso infantil online. Ao unir famílias, escolas e profissionais de saúde, o programa atua como camada de proteção contínua, reforçando a aplicação de filtros de idade, verificação parental e protocolos de denúncia ágeis, garantindo que crianças sejam monitoradas de forma efetiva sem recorrer à censura ampla.
  • Casa da Esperança: ONG que oferece acolhimento psicológico e jurídico para famílias em situação de vulnerabilidade. Além do suporte direto, promove educação digital e conscientização sobre os riscos da adultização infantil, capacitando pais e responsáveis para que possam orientar e proteger seus filhos com autonomia e segurança.
  • Combinação de medidas tecnológicas e educativas: exemplos internacionais e nacionais indicam que o fortalecimento de filtros de idade em plataformas digitais, aliados à educação digital para crianças e responsáveis, é um caminho eficaz. Ferramentas de verificação parental, incentivo a conteúdo seguro e protocolos claros de denúncia reduzem a exposição precoce a temas adultos, promovendo proteção real sem limitar direitos.
  • Fortalecimento da presença adulta e vínculos familiares: o que distingue intervenções de sucesso não são apenas regras ou algoritmos, mas a presença constante de adultos atentos, capazes de dialogar abertamente sobre riscos, ensinar limites e construir confiança. É o equilíbrio entre tecnologia, comunidade e afeto que impede que crianças sejam vítimas da adultização e da exploração digital.

Em síntese, intervenções eficazes não se limitam a restringir conteúdo; elas atuam em múltiplas frentes — legal, educativa, tecnológica e afetiva — garantindo que cada criança tenha suporte para navegar no ambiente digital com segurança, autonomia e proteção contra a adultização infantil.

Caminhos concretos para proteger sem censurar

Cada caso de violência é um lembrete brutal: a omissão também é uma forma de abuso da adultização infantil.
Cada caso de violência é um lembrete brutal: a omissão também é uma forma de abuso da adultização infantil.

Proteger crianças da adultização infantil no ambiente digital exige uma abordagem multifacetada, que vá além da simples imposição de regras ou remoção de conteúdo. É preciso articular políticas públicas, educação, tecnologia e participação comunitária de forma integrada e estratégica.

  • Legislativas: atualizar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para contemplar explicitamente o contexto digital, sem brechas que permitam interpretações políticas seletivas. Inclui-se aqui a obrigatoriedade de plataformas implementarem mecanismos de proteção, como filtros de idade robustos, protocolos de denúncia e monitoramento de conteúdos que promovam a adultização infantil.
  • Educacionais: investir em alfabetização digital desde cedo, combinada com educação sexual saudável e adequada à faixa etária. Ensinar crianças a identificar situações de risco, compreender limites e denunciar comportamentos inadequados é tão crucial quanto limitar o acesso a certos conteúdos. Para crianças autistas, estratégias adaptadas, como recursos visuais e linguagem direta, são fundamentais para que entendam e internalizem os conceitos de segurança digital.
  • Comunitárias e familiares: criar redes de proteção que articulem famílias, escolas, ONGs e profissionais de saúde, garantindo presença adulta constante e suporte emocional. A adultização infantil não se combate apenas com filtros ou leis; é preciso que cada criança tenha ao seu redor adultos atentos, capazes de ouvir, orientar e intervir de forma proativa.
  • Tecnológicas: responsabilização das plataformas por conteúdo nocivo, exigência de verificação parental, monitoramento de algoritmos que impulsionam vídeos sexualizados ou adultizados e adoção de inteligência artificial para sinalização precoce de riscos. Essas medidas devem complementar, nunca substituir, a vigilância e a orientação adulta.
  • Integração entre frentes: o combate à adultização infantil só é efetivo quando legislativo, educativo, comunitário e tecnológico caminham juntos. Cada camada reforça a outra: a lei cria obrigação, a educação dá conhecimento, a comunidade oferece suporte e a tecnologia atua como aliado estratégico.

O ponto central é que crianças, especialmente autistas, precisam de proteção real, fundamentada na prática e na presença humana, e não em debates ideológicos ou tentativas de controle político. É na combinação de ação consciente, redes de cuidado e políticas públicas robustas que conseguimos reduzir a adultização infantil e criar um ambiente digital seguro, saudável e verdadeiramente inclusivo.

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Separar proteção de controle político

O caso Felca e o debate sobre adultização infantil nos lembram, de forma clara e urgente, que a proteção das crianças não pode ser refém de disputas ideológicas ou interesses corporativos das plataformas digitais. Cada episódio de exploração, cada vídeo sexualizado ou conteúdo precoce reforça a necessidade de ação consistente, consciente e estruturada — não de respostas simbólicas ou seletivas.

A adultização infantil é um fenômeno multifacetado: está entrelaçada a padrões culturais, econômicos e tecnológicos que transformam a experiência da infância em espetáculo e consumo antes da maturidade emocional e biológica da criança. Por isso, a defesa da infância exige estratégias múltiplas: legislação robusta, educação digital e sexual adequada à faixa etária, engajamento familiar e comunitário, responsabilidade das plataformas digitais e uso inteligente da tecnologia como aliada na proteção.

Especial atenção deve ser dada às crianças autistas, cujas vulnerabilidades tornam cada exposição inadequada potencialmente mais grave. Para esses jovens, mecanismos de proteção não são apenas preventivos: são ferramentas de sobrevivência, de garantia de dignidade e de promoção de um desenvolvimento saudável.

Separar a pauta de proteção da lógica de controle político não é um detalhe técnico: é condição sine qua non para qualquer medida efetiva. Somente quando leis, educação, comunidades e tecnologia convergem de maneira consciente e estratégica é que a adultização infantil pode ser enfrentada de forma sólida, duradoura e verdadeiramente protetiva.

A responsabilidade é coletiva, mas a prioridade é clara: crianças seguras, autonomia respeitada e adultização infantil combatida com inteligência, empatia e pragmatismo — sem concessões a interesses políticos ou disputas culturais que desvirtuem o foco central: a infância.

A Braine nasceu de uma inquietação profunda: por que tantas mentes brilhantes ainda são silenciadas por estruturas que insistem em padronizar o pensamento humano? Em vez de aceitar esse cenário, escolhemos questioná-lo.

Somos uma empresa de tecnologia criada para transformar as lógicas excludentes do sistema e colocar a inteligência artificial a serviço da inclusão.

Nosso foco está nas pessoas neurodivergentes — aquelas que, por muito tempo, foram tratadas como “casos a serem corrigidos”, e não como sujeitos com direitos, saberes e potencialidades únicas. Desenvolvemos soluções que apoiam o diagnóstico, o cuidado e o cotidiano dessas pessoas com respeito, ciência e escuta ativa. Não queremos apenas adaptar o mundo a elas; queremos transformá-lo com elas.

Na Braine, acreditamos que o futuro não será verdadeiramente inovador enquanto não for também inclusivo. Por isso, nossas ferramentas — como o AURA-T e a Bruna — são pensadas para quebrar barreiras, descomplicar acessos e empoderar profissionais, famílias e usuários a partir de dados, sensibilidade e autonomia.

Tecnologia não é neutralidade: é escolha.

E nós escolhemos estar ao lado das mentes que foram historicamente subestimadas, para que elas possam ocupar, com dignidade, os espaços que sempre lhes pertenceram.

IA com propósito e inclusão com estratégia

A internet não é neutra: sem regulação, ela vira palco de exploração, ódio e silêncio cúmplice.
A internet não é neutra: sem regulação, ela vira palco de exploração, ódio e silêncio cúmplice.

Na Braine, cada projeto nasce de uma escuta real das necessidades de pessoas neurodivergentes, suas famílias e profissionais que as acompanham. Mais do que ferramentas tecnológicas, criamos pontes entre o conhecimento científico e o cotidiano de quem vive às margens de um sistema que ainda exclui.

  • AURA-T é nossa inteligência artificial voltada ao apoio no processo de pré-diagnóstico do autismo. Ela organiza, interpreta e transforma dados clínicos e entrevistas em relatórios claros, completos e acionáveis. Não substituímos profissionais — empoderamos decisões com base em evidências.
  • Bruna é nossa solução contínua para o acompanhamento do dia a dia de pessoas neurodivergentes, ela identifica sinais de crise, sugere intervenções individualizadas e promove autonomia sem abrir mão do cuidado. Bruna não vigia — ela apoia, orienta e respeita.

Esses são só os primeiros passos. Nosso compromisso está em expandir cada vez mais as possibilidades de uma tecnologia que reconhece as diferenças e atua para torná-las forças de transformação. Cada projeto é uma resposta pragmática a um problema urgente. Porque inclusão sem ação é só discurso bonito.

Um convite para atravessar fronteiras: descubra a neurodiversidade com a Braine

Se você chegou até aqui, é porque sabe — no fundo, talvez até sem ter colocado em palavras — que falar de neurodiversidade não é apenas falar sobre diagnósticos, rótulos ou políticas públicas. É falar sobre futuro. É falar sobre o modo como escolhemos viver em sociedade. É falar sobre aquilo que pode nos libertar de uma lógica estreita, produtivista e excludente que ainda insiste em reduzir pessoas a métricas e padrões.

Na Braine, criamos pontes entre ciência, tecnologia e sensibilidade. Nosso blog é um desses caminhos — textos densos, reflexivos, provocativos — para você olhar para além do que é confortável, questionar estruturas e repensar o que significa inclusão. Cada post é um convite para enxergar a diferença não como problema, mas como potência.

E se você quer experimentar isso de forma ainda mais intensa, precisa estar conosco no ExpoTEA 2025. Entre 28 e 30 de novembro, no Expo Center Norte em São Paulo, mais de 60 mil pessoas vão se reunir para aprender, trocar e se inspirar. Lá, a Braine estará mostrando, na prática, como nossas soluções digitais — AURA-T, Bruna e outras ferramentas inovadoras — já estão transformando o cuidado, antecipando o apoio e empoderando famílias, profissionais e pessoas neurodivergentes. É a oportunidade de ver que tecnologia e empatia podem caminhar lado a lado, criando impacto real.

E, claro, não posso deixar de falar do que é, para mim, um marco pessoal e coletivo: meu primeiro livro, “Fronteiras da Neurodiversidade”. Nele, proponho um olhar que vai além de protocolos, laudos e estatísticas. É sobre nome antes do CID, pessoa antes do rótulo, escuta antes da pressa. É uma obra que convida a refletir, sentir e agir.

Portanto, este é o meu convite — e não é um convite qualquer. Venha explorar o blog da Braine, participar do ExpoTEA, seja um dos nossos beta tester, conheça nossas ferramentas e descubra “Fronteiras da Neurodiversidade”. Cada passo seu nesse percurso ajuda a construir um mundo onde a diferença deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma força.

A travessia começa agora. E queremos você ao nosso lado.

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